terça-feira, 16 de junho de 2009

DESENVOLVIMENTO MORAL

Fazendo as leituras indicadas, na interdisciplina DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM SOB O ENFOQUE DA PSICOLOGIA II e voltando-me para meu cotidiano, tenho experiências bastante importantes para salientar, dentro desse contexto.

Piaget (1994) também constatou, em seus estudos, que há dois tipos de reações em relação às sanções (punições): num primeiro momento do processo, a criança considera a sanção necessária e quanto mais severa ela for, mais justa o será; num segundo momento, as crianças consideram justas as sanções que exigem uma restituição. Acreditam que a sanção deve corresponder exatamente ao ato cometido, para que o culpado sofra as conseqüências de sua falta.

Através deste entendimento, vou relatar atitudes, até então de violência, sobre minha aluna de 4ª série, com idade de 10 anos, que está sempre “armada”, sempre disposta a brigar e discutir com todos os colegas, até mesmo com as amigas. Todos precisam obedecê-la, fala muitos palavrões, está sempre em confusões tanto no recreio ou em sala de aula. Ao se expressar, precisa falar bem alto (grita). Enfrenta qualquer um tanto os meninos como as meninas, parte para a agressão física, não se importando com as conseqüências. Porém, atrás daquela fortaleza, consegui enxergar olhinhos implorando atenção e carinho. Foi o que dei.
Desde o início do ano, comecei a elogiá-la, levantar sua auto-estima, ter um olhar diferenciado ( já a conhecia dos anos anteriores e também sua trajetória), estou num processo lento, porém progressivo.
Voltando a Piaget(1994), essa minha aluna considera a punição quanto mais severa ela for, mais justa será e também considera justa a punição que exige uma punição.
Acredito que ao ato da violência que pratica, ela esteja construindo a noção de justiça, solidariedade, intencionalidade e responsabilidade, num processo que incidem no comportamento, já que vem de uma família bem desestruturada, não que suas características (geneticamente), personalidade, não tenha possibilidades de mudanças, pois segundo Piaget,essa seria uma concepção inatista, que considera que o conhecimento é concebido como algo que mergulha suas raízes no sistema nervoso, isto é, na estrutura pré-formada do organismo (Piaget, 1987),descartando a concepção empirista e inatista como explicações da construção do conhecimento nas pessoas.
Concordo, no texto quando fala sobre as imposições de regras de algumas escolas, para combater ou diminuir a violência no dia a dia escolar, pois o que deveriam ser combinações, acordos em que toda comunidade escolar pudesse opinar e não de padronizações de comportamentos socialmente aceitos.
Devemos sim estarmos sempre atentas e alertas para qualquer situação que nos remeta a violência, por que muitas vezes somos pegos de surpresas e mal pudemos compreender a fúria de certos alunos.
Numa outra escola que trabalho como P2, atendo quatro turmas diferentes, em um bairro bastante carente, posso vivenciar também as atitudes que considero de muita violência por parte de alguns alunos, que se auto denominam de “valentes” onde não levam desaforo pra casa, logo partem para a violência física e muitos palavrões, sem respeitar professores, direção ou qualquer pessoa que venha interferir.
É claro que a escola tenha um processo de desenvolvimento de moral, onde possa buscar ferramentas de cooperação para a educação na busca do respeito e o direito das pessoas, compreendendo que seus desejos e vontades não possam atingir a outras, na qual faz parte de uma sociedade.


REFERÊNCIAS:

JAQUELINE PICETTI: texto: Significações de violência na escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança?

Um comentário:

Márcia Caetano disse...

Oi Elisabete,

É exatamente esta a proposta do protifólio de aprendizagem, apresentar uma reflexão. Eu diria que você foi brilhante nesta sua análise, trouxe questões importantes sobre a punição em Piaget e a questões sobre violência vivenciadas na sua escola e sala de aula. Mas eu gostaria de te questionar o seguinte: quais seriam, na sua opinião,os exemplos práticos de como diminuir a violência na escola?

Um abraço
Márcia Caetano
Tutora