Menina bonita do laço de fita —, abrindo a história com a magia do “era uma vez”, o narrador nos apresenta traços da beleza negra: “uma menina linda”, de olhos brilhantes como “duas azeitonas pretas”, “cabelos enroladinhos”, “pele escura e lustrosa, que nem o pêlo da pantera negra quando pula na chuva”. Tudo isso na ótica de “um coelho branco” que morava ao lado da tal menina. Em vários momentos do enredo, observa-se a insistência do coelhinho para que esta revelasse o segredo de sua linda cor: “Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?” Após algumas tentativas frustradas do coelho, para se tornar pretinho como aquela menina, e de justificativas infundadas da menina, “a mãe dela, que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter”, dizendo tratar-se de “Artes de uma avó preta que ela tinha...” Então, o coelho branco se apaixonou por “uma coelhinha escura como a noite”; namoraram, casaram-se e tiveram uma ninhada de filhotes de toda cor, “e até uma coelha bem pretinha” (...), que se tornou afilhada daquela Menina bonita do laço de fita. Até o desfecho da história, apesar dos argumentos não convincentes da menina bonita, há uma construção progressiva de um sentido positivo, cujo efeito, indiscutivelmente, projeta a valorização da raça negra.Aproveitando o tema em discusão em sala de aula, sobre preconceito e inclusão em geral, contei a história: Menina Bonita do Laço de Fita, a qual na contação de histórias da última aula presensial de Literatura, meu grupo apresentou. Eles gostaram e participaram bastante na contação repetindo a pergunta que o coelho fazia a menina. Entenderam também a mensagem, pois, houve também um sentimento de igualdade no qual comentaram e questionaram se poderia ser o contrário, o coelho preto e a menina branca. Notei que temas como este são de interesse geral. No final fizeram uma produção textual e desenhos da história.
Dica:
Aproveitamos o momento, em que se fala de inclusão, para lembrarmos que é bom que incluamos a literatura em nossa prática docente. Porque ela é uma grande formadora de personalidade, de cidadania; é também fortalecedora do espírito de comunhão e de humanidade, que precisamos alimentar entre nós. Pensando assim, finalizo com as palavras do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (depoimento transcrito do Jornal do Brasil, 1974), numa espécie de “apelo” à consciência dos profissionais da educação para a importância da experiência estética com a poesia (com a literatura de modo geral) livre dos condicionamentos pragmáticos que ferem sua natureza lúdica e sua dimensão afetiva e formadora: “O que eu pediria à escola, se não me faltassem luzes pedagógicas, era considerar a poesia como primeira visão direta das coisas e, depois, como veículo de informação prática e teórica, preservando, em cada aluno, o fundo mágico, lúdico, intuitivo e criativo, que se identifica basicamente com a sensibilidade poética. (...) E a arte, como a educação e tudo mais, que fim mais alto pode ter em mira senão este, de contribuir para a adequação do ser humano à vida, o que, numa palavra, se chama felicidade?”.








Um comentário:
Oi, Elisabete!
Destaco as suas palavras: "(...)ela (a literatura) é uma grande formadora de personalidade, de cidadania; é também fortalecedora do espírito de comunhão e de humanidade, que precisamos alimentar entre nós".Muito Bom! - Seu relato demonstra, além de bons argumentos e evidências, exploração teórica e relação interdisciplinar.
Um abraço, Cris Lemos - tutora SL
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